sábado, 20 de agosto de 2011


"... e se não digo que te amo é porque deve estar à vista ..."
Sai de casa atravessei a rua com tanta pressa que nem reparei se passavam carros naquele momento ou não, digemos que estava com pressa, pressa de ficar sozinha, naquele momento era algo que eu precisava mais que tudo, precisava de pensar, deixar de fugir das perguntas que me têm atormentado há tanto tempo. Sentei me nas escadas ao pé da igreja, tirei os phones do bolso e pus nos ouvidos, de repente sentaram se ao pé de mim, com as mãos limpou me as lágrimas e disse me que ia ficar tudo bem, perguntei me como é que sabia disso, como é que ia ficar tudo bem se vá para onde for as perguntas voltam e não me deixam nem por momentos, então ela virou se e perguntou me o que se passava, o que me faltava mais, se eu já o tenho aqui comigo o que me falta para as mágoas desaparecerem de vez, suspirei, ela estava me a perguntar exactamente uma das perguntas que tanto me assombra, tirei os phones e olhei para a brincadeira parva que ela estava a fazer com as mãos, ela voltou a insistir, decidi responder lhe, estava um pouco rouca da noite anterior e um pouco gaga, pois nem sabia o que lhe responder, mas disse lhe, disse lhe que estava com medo do amanhã, medo que ele me deixasse pela quinta vez, medo que toda a vez que ele disse que me amava estivesse a mentir. Ela pós me a mão em cima da perna e com a outra mão endireitou me a cabeça de maneira a que eu a olhasse nos olhos e perguntou me se ele não tinha largado tudo para voltar para mim, respondi lhe que sim e um mas surgir, então ela apenas me disse que tudo tinha um mas, só que temos de aprender a torna lo num continua, que não podemos perder a esperança, ela disse para eu continuar a ama lo, pois se ele planeava ter um futuro comigo não era porque estava tão confiante em me deixar de novo. Sinceramente não sei, tanto vai e vem, neste momento quero e preciso apenas de um permanece. Ela olhou para a minha pisadora na cara, sorriu, disse que eu era demasiado insegura, que tinha de acreditar mais em mim, então voltou a escorrer me uma lágrima pela cara, caindo mesmo em cima da fotografia que tenho minha e dele no telemóvel, limpei e disse lhe que nada nem ninguém o prende a mim, que o medo de o perder é mais forte que eu, que já me cansei de suportar essa dor que tanto machuca, chega a um ponto em que ela me torna fraca, fraca demais.

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