terça-feira, 8 de novembro de 2011

«Por vezes até o silêncio me agride.»

pai: Então e quando é que vais tirar o aparelho.
ela: em dois mil e treze.
pai: Fogo, já tens isso há muito tempo, eles queres que depois nem água passe entre os teus dentes.
ela: o que ?
pai: Vocês mulheres não percebem nada.
ela: Se calhar é porque vocês homens não sabem ao certo o que querem dizer, baralham sempre tudo, complicando o que é fácil.
pai: Eu bem digo, mulheres (...) tão burras. Nós apenas não damos importância a certas coisas.
ela: Se é assim que designas os sentimentos do coração, então está compreendido o porquê de tanta insensibilidade.

Até a minha sombra me abandonou naqueles longos e silenciosos minutos e finalmente dei por mim no meio do nada de novo, lutando contra o meu maior medo. De repente vieram me à cabeça algumas promessas e palavras que dava tudo para que fossem ditas no momento, mas a solidão voltou para ficar e disso tenho eu a certeza. Ela aproveitou o facto de me terem abandonado, de me ter iludido mais uma vez e voltou com o dobro do impacto, diria até mais forte do que nunca. Custa me aceitar a realidade, pessoas que foram passando e caminhando comigo ao longo da estrada, olham para mim com o ódio entranhado na sua visão, menosprezam tudo o que fui um dia ou talvez o que eu pensava que era e esburacam me a alma. - É tarde de mais - penso para mim. - É tarde para me arrepender de ter deixado estas novas pessoas apoderarem se do lugar daqueles meus amigos, aqueles que eram verdadeiros e nunca me deixaram, é triste como fui orgulhosa ao ponto de saber que eles se afastavam com o aumento da distância e não ter feito nada. Irónico, pois hoje desejo que eles voltem e reconstruam o que se partiu em imensos pedaços.

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dias.

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