«A vida é um piano. As teclas brancas representam a felicidade e as pretas a angústia. Com o passar do tempo percebes que as teclas pretas também podem fazem música.»
Já nem sei o que escrever, os meus dedos limitam se a mover como se as palavras saíssem sem qualquer tipo de intenção, parece que deixei me levar pela brisa do vento, que num momento algures destruiu aquele tão frágil ser. Aquela menina da qual eu assisti ao primeiro choro, escutei a primeira palavra e vivi a emoção do primeiro passo, a menina da qual eu desfrutei do primeiro beijo. Aquela que virou desconhecida, fugiu naquela tarde de outono e esqueceu se que os seus erros, as suas desilusões vão sempre perseguir la, nem que seja em pensamento. Eu que me orgulhei tanto dela, hoje tenho medo que se perca de novo, que se deixe desmoronar com as palavras e que as lágrimas sejam de novo invocadas nos seus olhos, que aquele sorriso que ela leva esboça entre os lábios e aquele brilho no olhar sejam expulsados da sua face, como viajantes indesejados. Tenho fé que se continue a manter forte, que não desista de si, agora que se encontrou, que ganhe de vez amor a si própria, já que esse ela nunca teve. E mesmo depois de enfrentar dias longos e intermináveis, palavras rudes e presenciar actos de desespero, sei que esta é capaz de aguentar a dor que transporta dentro de si e torna la mais uma vírgula na qual viveu. Não vou dizer que ela é feita de ferro, pois o seu coração é composto por enumeras cicatrizes, ele é frágil e no final do dia revela se fraco ao ponto de desejar o que mais o magoou, mas ela aguenta, mesmo afligida e assustada, ela segura aquela vontade que bate bem lá no fundo. Agora, sei o quanto ela foi corajosa, largou o que tinha, para conquistar o que necessitava sem olhar para trás. Foi difícil assistir a sua devastação sem poder fazer nada, já que era demasiado teimosa para admitir que o caminho do coração era inseguro e podia lhe ferir com uma profundidade tremenda. Houve dias em que apenas conseguia se arrastar pelo chão, outros as lágrimas inundavam lhe a cara, (...) houve dias em que desejei ter de volta a razão de todo aquele sentimento que insistia em permanecer em mim, mesmo sabendo que esse era a lógica de todo aquele mal, era também a única solução que o podia resolver. Mas hoje, já não sou feita de esferovite, esses tempos evaporaram se, criei resistências, tinha de ser, não aguentava mais andar por ai feita boneca de trapos, vivendo à base de linhas que seguravam cada pedaço partido.
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