«Para todos aqueles que estão perdidos, sem rumo ou direcção: Pensem naquilo que foram, comparem com o que são.»
Desprezada, comentada, esquecida. Amada por uns, odiada por outros. Fruto de prazer sem fim, dançando entre as lágrimas que o céu derramava. Cabelo encharcado, corpo solto, saudade apertada, espírito aberto. Acompanhada pela inspiração, pela paixão que outrem declarou ao mundo. A música fazia lhe companhia e nada as parava naquele instante. Os seus pés moviam se sem esforço, o peso concentrava-se no seu coração, louco de tanta teimosia e orgulho, incapaz de perdoar erros que o machucaram. Os seus olhos brilhavam, nunca a viram tão radiante, o sorriso não a caracterizava na altura, mas pela primeira vez esqueceu-se que o mundo a avistava, a criticava, a julgava, mesmo desconhecendo a verdade ou todos os seus motivos. O foco deixou de apontar todos os mitos acerca daquela força que lhe dava vida e iluminou o seu espectáculo. Estava na hora de deixar de ouvir todo aquele murmurinho, vozes soltas que a esmagavam. Nunca enganou ninguém, amava o próximo como nunca antes se tinha amado, acreditava na pureza e tentava ignorar o ódio. Não era essa bandida em que a caracterizaram, nem ajudara ninguém a fugir do seu caminho, podia ser determinada e persistente, mas nunca cruel e traidora. A vida encurralou-a, mas as pessoas quase a destruíram. O medo seguiu-a, mas foi a falta de fé que a levou ao fracasso. Só que hoje ela largou os seus fardos, tirou os sapatos e moveu se com o vento, perdeu se entre as gargalhadas. Quem a conhecesse de verdade ficaria surpreendido, afinal não é aquela pessoa grossa, forte e vencedora que aparenta ser, muito menos fria e calculista, ela também sabe amar, mas aprendeu com o tempo que a sociedade te julga pela aparência e quanto mais vulnerável te demonstrares, mais ela te ilude.
*Parabéns melhor amigo chato. Mais um ano sem juízo, Rui Daniel !
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