segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

«Deus guia-te quando nem os teus olhos, nem os teus pés sabem para onde ir.»

amigo: E quanto tempo mais pretendes ficar sozinha ?
ela: O tempo que for necessário para que o meu amor chegue, talvez só até amanhã ou então até à eternidade.

Nem sempre tudo é mau, às vezes é uma questão de perspectiva.
Vestia as suas jeans rasgadas e uma camisa, nos pés as suas tão velhas all star gastas de tanto uso, cabelo solto, voava com a brisa de vento, no rosto o seu tão estimado sorriso, o seu mais belo acessório. Persistia, lutava, confiava. Ressacada de todas as noites mal dormidas, procurando uma solução. Dominava agora todos os seus medos. Nos seus olhos podia-se avista a insegurança a tentar escorrer, para demonstrar ao mundo que estava presente. Provavelmente, ela nem imagina o tão forte que era, mas tudo o que ela segurou no seu coração, segurou sozinha, poucos foram os que tiveram a dignidade de lhe perguntar se necessitava de ajuda ou então oferecer-lhe o seu ombro quando necessitou de uma alegria para combater os dias amargurados e insossos.
Não adiantava olhar para o relógio, parecia que as horas tinham paralisado e nada passava, parecia que nada voltava. Olhava para as últimas cartas que escreveu, eventualmente, as cartas que nunca irá enviar, com receio do que possa implicar tal decisão. Todas as palavras entre linhas, todos os medos riscados, explícitos a negrito. Escondeu o rosto, deixou-se levar entre as gotas de transpiração e cansaço que lhe escorriam pelo olhar, por momentos gerou-se uma onda de silêncio, o sorriso no seu rosto voltou, talvez se tenha lembrado de uma memória engraçada entre o ridículo, se calhar uma presença calorosa que a deixasse louca de tanta paixão, talvez seja isso, se tenha relembrado do ser que a tornou pedinte de afecto, de abraços. Mas aquele sorriso, ai aquele sorriso, não enganava ninguém. De uma coisa tenho a certeza, era amor, aquele seu modo atrapalhado, aquela sua mania de cantar entre as vagas passagem da quietude, a sua obsessão pelo palpitar do mar sempre que este se ia encontrar com os grãos de areia junto à costa, aquele seu idolatrar do horizonte sempre que o sol se deitava por cima da água salgada, aquilo era amor e ninguém me retira essa ideia. Eu escutei bem todos os seus suspiros e algo me diz que aquelas gotas, eram sangue, sangue de saudade, de desilusão, aquelas gotas que escorriam, navegavam nas suas faces vermelhas, era o coração a derramar as suas últimas forças.

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dias.

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