«A distância pode causar saudade mas nunca o esquecimento.»
Existem amizades seladas pelo silêncio, aquelas que mesmo sem promessas, sabes que é para sempre.
Querida melhor amiga, não sei se te lembras bem da última vez que me encontraste, quando o meu peito quase sufocou com todas as pontas soltas. Recordo de sentir o calor do teu corpo, de sentir uns braços a apertarem me o corpo, os mesmo braços que me têm segurado a vida toda. Anda a ser um pouco difícil não te ter tido aqui do meu lado estes últimos três anos, parecem agulhas que me espetam na alma sempre que me questiono por onde andas ou se, por algum motivo, te lembraste da minha pessoa. Perguntas em que divago, sem uma única resposta. O certo é que tenho pensado em ti, todos os dias da minha vida.
Travo hoje todos os meus medos, sacrifico todos os meus últimos recursos, quando me deparo longe de toda a alegria que o teu sorriso manifesta. Quando penso em todas as gotas imundas e frias que ele já limpou, a bonança que já depositou em tantos dias atribulados pela preocupação.
As palavras vão saindo, lamentando todos os dias em que não te demonstrei o desejo de te ter aqui de novo. Caindo na tentação de escutar mais uma vez que tudo vai correr bem- nem tu sabes o quanto me andam a ser necessárias neste momento, o quanto se enquadrava em tudo o que pretendo.
Lá estou eu a flutuar para além do possível, para além da realidade forte e dura, que nos mantêm distantes. E em palavras perdidas, enroladas entre o nó da ausência, em suspiros duradouros e silenciosos, entre as alegrias que viajaram e as dores clandestinas, entre esta vontade que tento controlar, antes de gritar desesperadamente o teu nome, eu apenas te queria doar mais um pouco de mim, para que nunca te esqueças que cada pedaço que me constitui venera-te, idolatra-te, cada pedaço meu, pertence-te. E estes, mesmo arranhados, magoados por certas circunstâncias da vida, acham te linda. Já me confessaram que gostam imenso de ti, resumiram isso tudo em poucas palavras- «Já viste o quanto a nossa princesa cresceu ?»- e no meio de todos aqueles sussurros, vi-me obrigada a concordar. Então sorri e disse- «(...) No entanto, continua a ser mesma menina maravilhosa que sempre conhecemos (...)».

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