«Gosto daqueles abraços que nos aquentam a alma. Que nos faz fechar os olhos e dá vontade de não soltar»
Nunca existirá paz no mundo. O Homem não consegue ser feliz e ver que todos ao seu redor também são.
Planeja todas as suas vinganças, imprudente, fruto da desonestidade, da traição e melancolia que outrens relançaram e depositaram nele. Como se as desavenças não chegassem ele tencionava voltar atrás e enfrentar de novo todos os vendavais que demos por vencidos. Hesita, sempre que lhe peço que pare e veja no que andamos a fingir, na dor que nos persegue e nós teimamos em ignorar. Bem lá no fundo ele ama-me, tanto ou mais do que alguma vez o amei. Bem lá no fundo o meu coração apenas segue o que pensa que seja melhor para não nos perdermos por ai, por outros olhos que nunca nos pertenceram ou cairmos na tentação de morar em peitos frios e morbídos de escuridão. Ele pretende que deixe de sentir o sabor das lágrimas salgadas que escorrem pelo meu rosto sempre que me olho ao espelho, que não sinta mais a repulsa, o ódio do que me tornei, ele quer que ganhe amor ao que sou. Perdi sangue em bravas batalhas, o carisma com determinadas pessoas, perdi o orgulho quando necessitei de um abraço e a certeza quando me enganaram. Fui diferente. Acreditei em palavras que mentiam, amei pessoas que me rebaixaram e dias que não voltaram. Amei o ontem com uma intensidade que não possuiu para amar o hoje. Isso sim entristece me. Já não basta ter de ouvir as lamurias de quem deixou de morar no aconchego do meu peito, ouvir as pessoas dizerem que vão estar aqui aconteça o que acontecer e quando necessitar delas, conseguir escutar até o mais pequeno som de lamentação do silêncio. Já não bastava perdoar o imperdoável, aceitar o inaceitável e ainda há quem queira que morra da ausência do meu amor próprio. Deixei de ser ingénua ao ponto de desejar quem não se lembra de mim, de amar quem brinca com os meus sentimentos. Posso não ter o carisma de muitas, mas todos os dias, eu orgulho me do que vivi, do que conquistei e do que não deixei o tempo levar. Pouco é o que me resta, mesmo assim não me importo, é do mais valioso que poderei alguma vez arrecadar.

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