quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

«O único silêncio que perturba, é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à porta, não há e-mails na caixa de entrada, não há recados na secretária electrónica e mesmo assim, entendes a mensagem.»

Alguém que me olhe nos olhos e diga que neles descubriu o mundo, é isso que preciso.
Punha agora as mãos na cabeça, a madrugada chegava fria e húmida, a chuva atirava-se contra a janela do quarto e em silêncio gritava as suas últimas palavras. O relógio cada vez aproximava mais as horas, todas elas passadas entre os seus pensamentos, o sono pesava nos olhos, mas a amargura não os deixava recolher por mais um dia longo de angústias. Investigava as suas escolhas, pormenor, por pormenor, relembrava as palavras- «Sê forte (...)»- diziam. E ela lá ia, faminta de um amor que se presa-se, louca de saudade, mas ninguém a compreendia, para qualquer efeito era a rapariga doida que perturbava a quietude dos corredores, a extrovertida que remexia na calma e no transbordo de sentimentos que se desenrolavam, para muitos a criança que não reconhecia a convicção. Todos a criticavam, muitos a desconheciam, alguns até a odiavam. Sentia se só, uma solidão que lhe apertava a alma, lhe corroía o seu mais célebre sorriso. A sua companhia era desprezada, mas a sua falta também era sentida. Lá no fundo, só queria um pouco de amor, talvez atenção, senão um abraço forte e uma paixão ardente, queria alguém que não a abandonasse desta vez, um amigo com quem pudesse contar, um desconhecido para conviver. Dias em que podia afirmar que valeu a pena, quanto baste, sim um pouco disso, de paz e sossego. Lembro me dela com uma certa frequência, do seu ar cansado e perdido, das marcas de expressão que o seu rosto definia ao mais pequeno dos detalhes, os seus olhos rasgados, do seu cabelo despenteado, queimado pelo sol (...) não sei se continua destemida ou se empregou algo para além daquela saudade que levava debaixo do ombro, rento ao peito, nem sei bem se conseguiu por fim desfazer se das suas assombrações, tão tenebrosas e insípidas, espero que algo tenha ocupado aquele vazio, aquela falta de afecto, que lhe tenham dado de novo aquele beijo na testa e confiança no olhar. Ela também já teve a sua dose, chegou a tomar rumos que jurou não percorrer.

*Obrigada Maria pelo conforto, pelo bocadinho que dispensaste comigo hoje.

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dias.

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