«Todos os dias quando acordo o que faço é sentir a tua falta.»
ela: Calas-te ou queres que te cale ?
irmão: Ai, ai, não me batas por favor, não com esses músculos ervilha.
Tem dias em que a raiva me engole viva, quando ele me chama burra e diz que eu nunca vou conseguir, quando ele me faz perder a fé no que eu sou capaz com os seus típicos argumentos. Ele belisca me os ombros e o som do seu sorriso perverso, que esvoaça no timbre da felicidade, faz me esbanjar as minhas ultimas forças. Tem dias em que diz que é o super homem e que eu não iria a lado nenhum sem ele, dias em que me proporciona um sorriso, manchado de orgulho e outros em que não me fala, limita-se a deixar que o silêncio demonstre todo o seu desagrado, enquanto as palavras rudes com que nos atingimos um ao outro começam a pesar. Mesmo sendo imaturo e com a mania que é rei da piada, mesmo cansado e irritado de todos os fardos que lhe coloco no peito, ele nunca desistiu de extinguir cada gota de desilusão que caia do meu olhar e sempre me segurou quando me encontrei imunda de dor e fracassos. Até naqueles instantes em que grito com ele e digo que ele só me atrapalha, senta-se do meu lado, pergunta o que se passa e perde-se comigo entre as horas de conversa. Nunca desistiu de mim. Sempre gritou o meu nome no meio da rua e sempre disse que sou horrível. E por detrás daquele homenzinho, sempre encontrei a compaixão do mundo, a força por entre a fraqueza que possuía, a segurança em torno dos meus medos. E mesmo não dizendo todos os dias eu gosto muito do meu irmão, porque apesar de parvo, não poderia ter um mais feio e completamente anormal.
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