“A vida ensinou-me a dizer adeus às coisas que amo, sem tirá-las do coração.”
Lembras-te do quanto fomos amigos ? Das vezes que tu me encontraste a vacilar pelo caminho e me tornaste firme ? Lembras-te das pegadas, dos passos que o destino nos fez caminhar juntos ? Parece que o que nos uniu, faz tempo que nos separou. Parece que o tempo levou as certezas, apagou as marcas, arrastou as migalhas e diante de todos estes contratempos não conseguimos voltar, e o refugiu dos teus braços passou a ser o meu posto de saudade. Os sentimentos deixaram de ser escutados, perante os gritos que me vão agoniando. Nada do que digo é correcto, aos teus olhos tornei-me uma margem de erros, de imperfeições irremediáveis. Alargas-te os teus horizontes, deixei de ser a razão do teu sorriso, passei a ser uma das fracções que tanto o proporcionou. Revolta-me. Revolta-me passar por ti e ver que te deixei escapar, relembrar o quanto juras-te ser diferente e o quanto te revelas-te igual. Foste-me largando sempre que alguém novo invadia a tua vida. Eu fui trocada umas milhares de vezes e menti a mim mesma, dizendo que eram os ciúmes, mas deixou de ser ciúmes há muito tempo. Eu não vou pedir que voltes, quando quiseres sabes qual é o número da porta, sabes o meu número e os lugares que frequento (...) deixei de implorar, quem quer volta, quem quer procura (...)
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