«Acho que meu erro foi transbordar demais aquele amor, tê-lo vivido com toda aquela intensidade, afogado-me. Amei nós os dois sozinha e tu nem se importaste com isso.»
Sempre tive medo. Medo de me perder, medo de me encontrar e me desiludir, sempre tive medo de abrir os olhos e ver o que não queria presenciar abrir o coração e sentir o que não podia sentir. Eu sempre tive medo, medo das palavras não ditas, dos dias inacabáveis de não suportar a dor. As vezes eram medos dementes, medo de ser deixada, de ser esquecida, medo de ser trocada (...) Quantas dias a minha alma se encontrou lotada de medos, renegando toda a falta de força que sempre tive para encarar as situações e admitir que não vale a pena, nenhuma dor, nenhum amor solapado ou ser imprudente merecia a minha auto destruição. Eu sempre fui assim, muito inconstante, demasiado masoquista ao ponto de me lembrar que o meu problema é sentir, sentir de mais. É que sem querer eu dou por mim a chorar por entre as comédias, um mês antes das despedidas, por aquele amigo que não vejo faz tempo. Dou por mim a chorar pelo final feliz, pelas dores de peitos que não o meu, pelas palavras certas nos momentos errados. Sempre assisti ao desfalecimento dos meus olhos quando o meu corpo se tornava incapacitado de mudar as circunstâncias. O medo é o desespero que padece em mim, de dar um passo em falso, de cair, de errar. O pior é que apesar de tanto medo eu sempre me perdi, sempre me encontrei e desiludi, abri os olhos e me censurei pelo que vi, abri o coração e me feri com o que senti. O pior de tudo é que o medo nunca me tornou alguém segura. Eu sempre me magoei com o silêncio, com a ausência, com as trocas e mesmo perdoando todas as traições, nada foi esquecido.
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