quinta-feira, 22 de novembro de 2012

«Durma e sonhe. Pesadelos tens quando acordas.»

A vida é um vendaval, olhes para onde olhares é só sentimentos fora do lugar.
Existem dias como este que sou obrigada a reflectir sofre o assunto, lá sei, tanta coisa por dizer, tanta coisa por fazer, biliões de pessoas lá fora para conhecer e eu aqui. Tudo continua, a normalidade cobre tudo à minha volta, menos eu, um ponto inseguro no mundo, concentrado em milhões de pensamentos ilógicos e sem fundamentos possíveis. Deparar-me comigo foi algo bastante incomodativo a principio, tenho tendência a ser um pouco egocêntrica em algumas ocasiões, para não falar do péssimo habito que tenho de crer em oportunidades inexistentes. Recompor-me, reconstruir-me, reabilitar-me, realizar-me, tantas flechas a atingirem me ao mesmo tempo, a prolongarem a mudança de tudo o que fui. Estou diferente ? Oiço gritos, palavras, sinto pedras, cortes, assisto a mutilações a tudo o que sou, as pessoas dizem que tudo se baseia naquela frase, aquela à qual aprendi a tapar os ouvidos para não ouvir, mesmo que por dentro o meu corpo reflicta toda a dor que causa pressentir tudo o que me recuso a escutar- mudas-te !- É isso ? Será que não são os olhos que me enxergam de outro modo ? Os corações me sentem de outra maneira ? A minha rotina mantêm-se bastante monótona, dezenas de pessoas a procurarem-me por ai e eu aqui a prosseguir a mesma rua todos os dias, contando as horas que faltam para me deitar e adormecer e por momentos dar-me como morta de toda esta realidade. Volto a fechar os olhos, volta a ecoar bem alto no pensamento- mudas-te !- Será que é verdade ? Será que me enterrei viva ? Quer dizer, pelo menos parte de tudo o que sou. Afinal quem sou eu ? Uma caixa de lembranças ? Uma recordação do passado ? E o que mantém viva ? Bombardeamentos que não controlo ? Sinto a pulsação com o dedo indicador, apercebo-me por vezes do meu pestanejar e não sei explicar aquela vontade súbita de sorrir que me abraça ao longo dos minutos que vão passando, aprendi a seguir em frente, não me lembro nitidamente do que deixei para trás, nem se cheguei a amar tudo o que tive. Não sei que consequências se vão fazer sentir por esta quebra na memória, nem o que a causou propriamente. Será que o meu presente está a ser melhor do que o passado ? Ou eles têm razão e eu mudei ? Mudei ao ponto de me esquecer de todos os meus princípios, lutas, quedas, vitórias e andar para aqui a sentir-me uma pessoa vazia, que não possui nada, que não tem ninguém, que não sabe o que fazer ou para onde se dirigir.

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