«Eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer outra companhia no mundo, mesmo nunca tendo demonstrado isso.»
Ela é linda, despenteada, com o cabelo curto, longo, esticado, encaracolado. Ela é linda mesmo zangada, entediada, mal disposta. É daquele tipo de pessoas que te tira do sério com o seu humor sem graça, mas que depois te faz rir só de ouvir aquela risada que te dá voltas e voltas à cabeça. É do tipo de mulher que aguentaria o mundo às costas para te ver correr sem dores e cargas pesadas, para te ver livre. Ela é inexplicável. É teimosa, orgulhosa, mandona, gosta de domingos chuvosos, de cantar alto, como se o mundo a escutasse tão bem como eu. Ela é única, e de todos os rumos que a minha vida podia tomar, ela apareceu justamente no primeiro instante da minha existência. Ela é o maior e o mais verdadeiro sempre que possuiu entre as mãos, o que me leva a ripostar que tudo pode melhorar, ela é a razão de toda a minha fé. É a água transparente que reflecte a minha imagem, tudo o que desejo um dia me tornar, ela é silêncio que me consome, a esperança que não me deixa desistir. Ensinou-me a escutar os gritos ensurdecedores, a perdoar, a ter cuidado com quem deixo entrar e a deixar sair quem nunca teve intenções de me conquistar. Ela ensinou-me a amar, a encarar as metas, a não desistir. Tão sorridente e trapalhona, deu-me o céu para sonhar, a vontade para lutar e todo o seu amor para prosseguir. E de tudo o que eu podia pedir de melhor, eu nasci com isso, a minha mãe.

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