«Como é mesmo que minha mãe dizia? Quem não é visto, não é lembrado. Longe dos olhos, longe do coração. Pois é.»
Quero que saibas que deixei muito por dizer, muito por fazer, muito por sentir. Quero que saibas que nunca fui adepta de todos os teus amigos, mas que engracei com todos eles por ti, quero que saibas que senti ciúmes até daquela tua coleguinha e que tudo isso era medo de te perder, que fingi sentir cócegas todas as vezes que tocas-te no meu corpo, só para ter a satisfação de te ver sorrir ao ritmo da minha gargalhada. Talvez o mais triste na morte seja mesmo não existir mais a tua presença, o teu jeito desengonçada, as tuas mãos mexendo no meu cabelo, o teu abraço pedindo para ficar mais um pouco, a tua mão segurando a minha e todas essas coisas. Se calhar o pior do fim do mundo é o fim do nós, é não haver mais esperanças, mais amor, mais «meu» e «minha», nem conversas de madrugada discutindo quem sente mais falta. De todas as mortes esta é a mais dolorosa, saber que não existirão mais chances, mais argumentos, mais saudade. Então o mundo acaba e eu queria apenas dizer que o sol lá em cima não brilha tanto como o teu olhar, ou que o universo não é nem uma fracção do meu amor. Num último pedido desejei esquecer-te, esquecer o teu cheiro que passeia pelo quarto, a tua voz que faz eco na minha cabeça, as lembranças que me levam a fracassar. Arrancar-te da minha vida e pelo menos desta vez morrer feliz, sem memórias, sem saudade, era tão bom, pelo menos uma vez na vida não morrer de amor.

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