«Se houvesse algum meio de voltar atrás, nós nunca aprenderíamos a seguir em frente.»
É como se não tivesse uma vida, como se os meus pés me encaminhassem num precipício sem cura, como se não pudesse resistir mais ao abalo que sofro por entre os medos absurdos que fui desenvolvendo. Como se não houvesse um retorno por entre a culpa, por entre a convicção e o facto de me achar incapaz de suportar um mundo em que todos me julgam adulta de mais. Quem me dera poder dizer que a vontade de largar tudo não é mais forte, percorrer estradas sem destino, deixar essa imagem de durona reflectida num lago por ai e fugir com o seu sorriso, que me têm segurado nas curvas mais acentuadas, nos dias mais infernais, nas lágrimas mais inseguras e medrosas que as últimas notícias me trouxeram. É como se não me conhecesse mais, como se parte de mim permanecesse em histórias indelicadas que o passado encobre, como se tapar um buraco abrisse mais dois ou três. Mas ele não me deixa cair e isso torna maior o medo, a segurança e o amor acrescentam à lista o receio de o perder, de meter os pés pelas mãos de estragar tudo como fiz vezes sem conta quando o tempo era curto e as decisões importantes. Talvez o medo seja o mais aterrador em tudo isto, saber que pode haver um fim, saber que tal como veio pode ir.

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