«Que importa o tempo? Há amigos de oito dias e indiferentes de oito anos.»
Ódio. É quando o amor evolui para a estaca zero, quando os sentimentos são demasiado fortes para desaparecer, é o ódio que reveste cada compartimento do coração e o torna numa gota insípida, escura e melancólica. A evolução do sentimento mais puro, é o sentimento mais temido. A grandiosidade de um, torna-se no fracasso do outro. Só os fortes resistem, porque o ódio resulta de caprichos, de sapatos de cristais desencontrados, de príncipes que jamais chegarão e nos salvaram da morte. Todo o nosso fracasso resume-se a uma palavra que provoca a maior das destruições, que não nos deixa dar passos em frentes, que nos leva à revolta interior. Não ser aceite pela sociedade leva-nos à depressão, mas não ser aceite por aqueles que amamos leva-nos à morte. É essa a diferença. Uma pessoa sem amor vive da solidão que transparece do silêncio, vive do cheiro da felicidade dos outros e isso leva ao ódio. Por vezes, este sentimento tão ríspido não passa disso mesmo, do amor que levamos à vida dos outros, pelo simples facto de nos apaixonarmos pelo que não é nosso, pela alegria que depositamos nas conquistas de alguém, que jamais se tornarão nossas. Ódio, também designado pelo sentimento mais próximo do amor, porque só quem já amou é capaz de odiar. Só aquele que já se apaixonou por breves instantes, contemplou por segundos, só aquele que admirou ou sentiu qualquer tipo de compaixão é capaz de o sentir. Só quem já idolatrou consegue odiar. Mas é irreversível, jamais o ódio voltará ao estado inicial, jamais ódio virará amor. É impossível apaixonarmos-nos por alguém de quem conhecemos o pior lado, quando sabemos o que a realidade nos demonstrou. O amor constrói-se entre "ilusões", mas cresce dentro da realidade, enquanto o ódio vive a vida toda entre os dois, o que pensamos ser e o que sabemos que é.

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