«As pessoas deviam falar mais o que pensam, não o que os outros querem ouvir»
Dizem que já sou adulta e tratam-me como uma criança.
Toda as pessoas mentem, seja por vergonha, por medo, por falta de coragem, tentando ser alguém que já mais serão ou até mesmo para não causar estragos. As mentiras são disfarces, transformam a realidade em algo que ela já mais será, inundam rostos de sorrisos rasgados, para depois encherem o coração de uma dor inevitável.
Lembro-me do divórcio dos meus pai, da doença do meu avô, das vezes em que me encobriram as mentiras com o silêncio constrangedor que banhava a sala sempre que eu entrava. As mentiras não evitam a dor, a nostalgia, o sofrimento mórbido, as noites sem dormir, apenas retardam isso tudo. Fazem-nos perceber do tempo perdido, tornam-nos as vítimas de histórias das quais não queremos pertencer, transformando-nos em pessoas que não conseguem ver o pôr-do-sol com medo de confiar, que nunca vão compreender palavras sinceras, porque se recusam a ouvir. As mentiras não curam, não saram, não protegem, apenas pesam. Pesam no peito de quem as carrega e nos olhos de quem as descobre.
A verdade não é nenhum paraíso, a vida não é nenhuma tarde de verão passada na praia contemplando o céu, é apenas um nó, um nó sem laço. Não há nada bonito se não estivemos cientes do que se passa, convencidos que vivemos no céu, enquanto o resto do mundo tenta encobrir o calor do inferno e todas as queimaduras que este trará.
Arrependo-me de tanta coisa hoje e a vontade de ficar é tão pequena, os sonhos são enormes, os desejos imensos, mas acima de tudo, eu só queria voltar atrás. Voltar atrás e, desta vez, saber a verdade.

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