quinta-feira, 29 de setembro de 2011


«Ser feliz não significa que tudo é perfeito. Significa que decidiste olhar além das imperfeições.»
A minha vida tem se tornado nisso, em pó em cima da estante, em vendaval numa noite de verão, apenas em mais uma existência perturbadora. Gritos profundos e silenciosos evadem me a alma e por dentro completamente destruída tento recompor me, não sei se alguém reparou no vazio do meu olhar ou na agonia do meu coração, não sei se notam a ausência do brilho de um sorriso ou de uma piada daquelas sem lógica, não sei se sentem a minha falta, mas continuo a dirigir me para o mesmo local, aquele longínquo futuro que me espera, chamam me de forte sem perceber que fujo do destino, escondendo por detrás de portas semi abertas. Há dias em que parece que não tenho coração, parece que quem o levou não o trouxe de volta e isso transtorna me, pois sei que quem o tirou não me o irá dar de novo. Custa-me aceitar os factos, custa me aceitar a realidade, não por ela ser tão dolorosa ou demolidora, mas sim por me estar a fazer desistir do que eu mais amei na vida, aquele meu sonho transcendente, aquele sonho doentio pelo qual eu dei a minha vida de bandeja, sem obter o que tanto desejei, o que hoje mais me custou foi quando ela me disse "(...) Quando eu olho para além do teu olhar, eu só vejo sofrimento, uma enorme vontade de chorar, vejo um vazio onde antes via alegria e brilho. Já não falas sobre nada com ninguém, escondeste de todos e essa felicidade que tu demonstras parece me tão falsa, por muita que seja. Andas a ser forte e admiro essa força, estás a enganar todos muito bem a sério, mas eu sinto que andas a fingir tudo, por mais que só eu perceba isso. Daniela sê sincera, tu és realmente feliz ?", engoli em seco, ando a mentir a todo o mundo, até a mim, mas não iria baixar os braços agora, depois de tanta dor suportada, por isso franzi a testa e disse lhe que ela estava enganada e que eu ando óptima, apenas cansada e stressada, só que ela conhece me talvez por vezes melhor que este meu pequeno coração, por momentos as lágrimas quase saíram, embaciando me o olhar, mas eu guardei-as, guardei-as para uma altura da vida em que não haja consequências em ser fraca. Acabei por lhe admitir que não ando bem, mas que não me posso deixar abater pelo que andam me a fazer, não posso deixar que todos me tratem como um objecto inanimado, não sou nenhuma boneca de trapos, tenho dentro de mim algo que bate vezes sem conta por segundo e que faz com que tenha sensibilidade à crueldade humana, mesmo que ninguém entenda ou até que seja ignorante ao ponto de não se interessar, eu tenho sentimentos. E não é que eu queiras seguir em frente, mas estou dorida e desapontada e aquela dependência de gente egocêntrica andava me a causar um sofrimento incalculável e insuportável.

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