«Eu não esqueci só acho que não vale a pena recordar (...)»
Senti me perdida naquele instante, o meu corpo arrepiava se com a breve brisa de vento que passava, a minha visão ficou meio turva e tudo á minha volta por segundos virou uma simples imagem meio desfocada, tentei respirar, repetia para mim mesma que aquilo era só o cansaço a tentar controlar me, esfreguei os olhos com os punhos e sentei me ali no meio da estrada. Parecia que o tempo tinha parado, o silencio inundava a rua e o sossego avistava se de bem longe, perguntei para mim mesma o que fazia eu ali, sozinha, mais uma vez estava completamente distante e o meu medo da solidão apoderava se da minha mente. Levantei me sem saber exactamente para onde me dirigia, arrastando os pés, acho que não cheguei a dar mais de três passos até cair no chão completamente dominada por aquela presença ruidosa na minha cabeça, os meus gritos ensurdecedores atravessaram o silêncio, enquanto a desilusão fazia uma pequena viagem pelo meu rosto, o vento era a minha única companhia, o sol já escondido entre as nuvens fazia com que nem a minha sombra estivesse presente no momento, para ser franca estava com uma enorme vontade de um abraço prolongado e um beijo baboso na testa, uma vontade que me estava a incomodar, pois sabia que ela não ia passar, tornando me obcecada e nervosa com a presença daquele sentimento. Deitei me ao lado da estrada, em cima daquela relva verde e húmida por causa do tempo, abri os braços e olhei para as nuvem vendo se estas se assemelhavam a algum objecto ou ser que eu conhecesse, lembrei de um antigo e tão presente sonho, rodeado de muros de esferovite e pontes de algodão, um sonho sensível que se desfez ao mínimo toque, desde do início que ele tinha sido feito para não dar certo, talvez na altura nem soubesse o verdadeiro significado dessas palavras apostando tudo nele, um mundo de grandes oportunidades em que todos aproveitaram as suas enquanto armada em forte virei costas. E fui vivendo assim, em cima de cordas bambas, a uma distancia do chão que me iria fazer perder a vida, entre ruas estreitas, com pavimentos esburacados, deixando me cair em alguns, fui crescendo no meio de imensos obstáculos e vivendo cada milésima com o gosto da adrenalina a arreigar se nos poros, parecia que sustentava o mundo nas costas, mesmo com as suas falhas e os seus senãos, deixando uns irem e outros se instalarem, amando quem ficava e esquecendo quem partia, vivendo, apenas me limitando a viver.*Parabéns Emanuel ! (:

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