«A linguagem das lágrimas não pode ser entendida pelos corações de pedra.»
amigo: O que pretendes da vida ?
ela: Antes queria vencer. Hoje já fico conter se vive-la.
Na vida arrisco sempre. Prefiro errar e saber que tentei, do que limitar me a sonhar.
Estou sentada no degrau da porta cá de fora, com o cobertor em cima dos ombros para me aquentar o corpo, protegendo-me dos sopros involuntários do vento. A música soa baixinho, quase silenciosa, quebrando o sossego da noite. São três da manhã, não se ouvem os carros a correr pelas ruas a dentro, nem o típico ruído da cidade, apenas os candeeiros iluminam as ruas desertas e as rajadas de frio percorrem-nas sem destino. Não sinto as extremidades dos dedos, geladas, mórbidas pelas temperaturas baixas que se fazem sentir, enquanto vou suspirando. Nada de novo, o mesmo velho e chato problema de sempre. Parece que o meu coração não está com sono, pelo contrário, está bem desperto, cochicha agora com todos os sentimentos que o afagam, com a dor que o faz persistir, com a alegria que o faz viver e a saudade que o ensina a sentir.
As estrelas não se avistam, no entanto entoou as minhas palavras em direcção ao céu, iluminado pelos focos de luz terrestre, o mar de toda a minha paixão, o meu grande confidente em noites longas e solitárias. Prometi-lhe que iria ser forte e ontem voltei a desabar, consecutivas e imprudentes, todas as minhas forças debruçavam-se perante os meus olhos inundados de insegurança, tentando conter o pesar de cada dia mal vivido. Entretanto ergui-me, recompus-me de batalhas avassaladoras, vinte e quatro horas fizeram me questionar o que ando a fazer por mim ultimamente e quando o vazio é ensurdecedor é mau sinal. Continuo a escrever, como se o som do teclado me fizesse reflectir um bocado e me cicatriza-se mais um poucos as feridas de uma alma rasgada.
Estou melhor. Melhor que ontem, pior que amanhã. Estou viva e isso significa que me foi concedida a oportunidade de tentar, é isso que vou fazer reconstruir o que desabou, linear novos rumos, percorrer novas esperanças, amar por mais um segundo e inibir este medo de se alastrar dentro de mim.

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