«Esquecer, uma palavra fácil de dizer. Atitude difícil de fazer.»
Tu não sabes o quanto ando perdida e por mais que tente eu não sei o quanto a tua vida é complicada.
Pousou a caneta em cima da mesa depois de escrever a última frase. Um lágrima escorregou-lhe pelo seu rosto e caiu em cima da folha. Nada mais poderia ser feito. Declarava então o final de mais um capítulo, entre cada linha daquela carta, agora manchadas pelas gotas de saudade e incerteza. Respirou fundo e releu-a:
«Já não te escrevo faz o seu tempo, não tenho forças de colocar mais uma carta no correio esperando que tu compreendas o seu conteúdo, a paixão que te entrego para as mãos neste pedaço de papel. Há uns tempos atrás enquanto arrumava a bagunça do quarto encontrei aquela fotografia que tiramos juntos na praia quando o sol se misturava entre as imensas cores no horizonte, aquela em que estás com um sorriso perverso enquanto assistes a mais umas das minhas tentativas de te fazer apaixonar loucamente por mim. Se tu soubesses o aperto que o meu coração me facultou, a saudades comprimiu-o com tanta força que mal consegui respirar. Lá estou eu, mais uma vez aqui sozinha a tentar descrever-te este meu amor vagabundo, esta minha paixão sôfrega, mas não te preocupes não te escrevi com intenções de voltar a possuir esse teu coração e controlar o teu respirar entre os meus pequenos dedos. Apenas lembrei me do som suave da tua voz, das doces palavras que me sussurravas quando eu fazia uma crise de ciumes e do quanto os teus olhos brilhavam quando no final do dia te pedia para não ires embora, pois uma noite era muito tempo sem ti. Não te peço que compreendas o quanto te amei, apenas queria que soubesses que nunca me habituei à tua ausência. Nunca me conformei em não te ter aqui dia após dia criticando o som da minha gargalhada ou abraçando-me sempre que as lágrimas caiam desamparadas. Foram dias longos em que tive de aprender a viver sem ti, noites solitárias sem ouvir a tua voz. Queria que soubesses que tenho pensado em ti a todo o tempo, em todas as vezes que me apertaste e disseste que era a tua menina, no quanto te orgulhavas de mim e me chamavas de linda. Relembro com uma certa frequência do jeito amável com que me acarinhavas o rosto e me beijavas a boca. Recordo-me de todas as vezes que juraste que seria eterno, de todos os nossos planos e do quanto a nossa filha iria ser amada. E perco me na quantidade de dias em que vivi com um sorriso enfeitando-me as faces, o quanto o amor que tu me proporcionaste deu para pagar todas as dívidas de tristeza. Queria também te contar que quando nós acabamos e tu insinuaste que eu nunca te amei, quando te me atiraste à cara que foste apenas um passatempo, magoaste me, não quero que fiques com remorsos, apenas precisava que soubesses que aquela alegria estampada em mim, era uma máscara, pois uma vez prometera te que acontecesse o que acontecesse eu iria sempre demonstrar te o meu melhor lado. Tu sempre disseste que eu ficava linda a sorrir. Mas na realidade, eu derramei dor atrás de dor, eu adormeci a chorar, tal foi o desespero nessa noite por não te ter ali e mais que isso, quando tu me disseste que não havia mais um "nós" o meu coração injectou-se de tanta dor, foi a facada mais dolorosa que até hoje enfrentou. Desculpa se te facultei sofrimento, desculpa se não fui essa perfeição que tu tantas vezes dizias para os teus amigos que eu era. Principalmente, desculpa por não ter tido o impacto na tua vida que sempre desejei ter e depois te ter culpado do nosso fim. Meu amor, hoje só queria que soubesses que te amei até a exaustão, que necessitei de ti a todo o tempo na minha vida. Queria que soubesses que ainda hoje assim o é. O quanto as nossas vidas seguiram direcções opostas, parece que este vazio passado tantos meses ainda não se preencheu. Eu quero que encontres uma rapariga que te entregue o coração, que te encha de alegrias, que te faça suspirar e assobiar na rua. Uma rapariga que te dê a mão e te mexa no cabelo, como tu tanto gostas. Que te diga coisas bonitas, melhor, que te demonstre cada uma delas. Mesmo que essa rapariga ocupe o lugar que durante tanto tempo me pertenceu, mesmo que seja ela quem te roube os beijos que eu possuía ou te designe de "meu" como tantas vezes o fiz. Quero que me prometas que vais ser feliz, nem que isso implique perder te para sempre. Com amor e saudade, a menina que em tempos roubou o teu coração (...)»
Dobrou-a e colocou-a dentro do envelope, pela manhã iria até aos correios para a enviar. Era o mais correcto. Se seguir em frente significasse ter de deixa-lo para trás, ela tinha de fazê-lo. O futuro esperava-a e ele já abandonara o passado.
*Parabéns Andreia Isabel, minha chata, minha louca, gosto muito de ti ! (:

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