domingo, 8 de abril de 2012



«É horrível admitir que precisei de ti algumas centenas de vezes e em todas essas vezes foste alguém ausente pra mim, é duro admitir que chorei esperando por ti e as minhas lágrimas secaram sozinhas, também é complicado admitir que sinto que não te faço falta e que todas aquelas coisas que antes eram planos, hoje são apenas lembranças… lembranças de um tempo que não volta mais.»





Carta de Natal 2010: «Amor, ia para te oferecer um carro, mas quando o ia pagar lembrei-me que não tinhas carta. Assim deixo-te esta prendinha. Adoro-te muito. Do teu pai.»

A distancia pode separar os nossos corpos, nunca os nossos pensamentos.
De certo modo habituei-me ao silêncio perturbador, as chamadas de um minuto todas as noites, à saudade que perturba o peito todos os dias. Tudo o que nos uniu um dia, separou-me faz os seus longos anos. Parece que nada vai voltar. Que não vais recuar nos passos que deste perante mim, sem sequer pensar na solidão absurda que me iria engolir viva. É como se me encravassem as unhas no peito, quando de manhã presencio, mais uma vez, aquela ausência constrangedora. E quando me perguntam por ti, os gritos do meu coração ensurdecem-me- Aguenta-te forte- repito, então o pensamento tentando minimizar os danos, pronuncia as últimas palavras antes daquele vazio escorrer por mim. "Ele um dia volta"- diz, mas tu nunca voltas, é como se os poucos quilómetros que nos separam, fossem os poucos laços que restam. E gritar deixou de ser solução. Tentar deixou de ser um objectivo. Amar é o que me resta, amar-te a cada dia, a cada minuto, como sempre fiz. Porque todas as noites eu espero que me aconchegues os cobertores e as nossas fotografia preenchem as paredes do quarto. Nunca duvidei do que me deste, dos dias em que tentaste segurar me e eu não deixei. Não te vou julgar pelas vezes em que as bancadas se encontravam inundadas da tua ausência, dos recitais de dança que não assististe, de não teres estado lá na primeira vez que me partiram o coração. Eu não vou barafustar todas as vezes que não poder usufrui da tua companhia. Sempre vou cantar a nossa música quando passar na rádio e assistir a todos os concertos do pedro abrunhosa só para te imaginar ali. Eu nunca te vou largar a mão, porque eu vi-te chorar com medo de me perderes, eu vi a insegurança a rodear-te quando eu fraquejei e eu vi toda a dedicação que depositaste em mim dia após dia, antes deste vazio eu presenciei esse teu amor. Por isso eu sempre irei correr para os teus braços no final do dia e ligar-te para dizer o quanto gosto de ti quando a saudade apertar. Obrigada pai por me teres ensinado a viver com um sorriso no rosto e a enxugar as lágrimas entre as recaídas. És o meu herói e mesmo não te tendo aqui todos os dias, gosto de ti incondicionalmente.

*Parabéns meu careca, já são quarenta pai ! (:

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