sábado, 31 de janeiro de 2015

«Perguntei-me vezes sem conta porque razão saltaste»


Querido amigo,
Se estivesses aqui iria-te abraçar com toda a minha força, beijolar cada ossinho mais pequenino que o teu corpo poderia ter. Tenho tantas saudades tuas, que quase congelo ao saber que algures por ai ninguém escuta o timbre temeroso da tua risada. Tenho tantas saudades, que por vezes finjo que me escutas, que me contas piadas desengonçadas só para que a tua voz ecoe na minha cabeça vezes sem conta, é como se em vez de um anjo na Terra, tivesse o meu próprio anjo no céu (...) Oh, mas o quanto eu gostava mais de ti aqui, o quanto eu gostava de ter estado lá, de te ter segurado, pedido para ficares, porque sempre nos devemos agarrar àqueles que gostam verdadeiramente de nós e eu (...) e eu, eu gosto tanto de ti. Mas agora o silêncio perfura as conversas que poderiam um dia surgir, o destino não reserva mais palmadas nas costas, nem recordações, traz apenas consigo mais saudade, mais lágrimas despromovidas de qualquer tipo de consolo, traz consigo tanta coisa e eu continuo a querer só que voltes, que louco e inconsequente como eras não fosses tão idiota ao ponto de partires sem dizer adeus a quem te queria perto. Tenho tanto para te contar sem saber se me ouves, tanto para te mostrar sem saber se me vês (...) Parece que já ninguém se lembra que foste, que todos se esqueceram que não pisas mais este chão, que te tornaste tão forçadamente uma imagem fosca do passado, passado esse incapaz de virar futuro, pergunto-me como, como pode alguém nem sequer se lembrar de ti? Enquanto o meu choro parece não ter fim, enquanto a dor parece que cada dia mais aperta o peito, espreme tudo o que vivemos e inunda os meus olhos. Tenho tantas saudades tuas, volta para aqui (...)

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