Um erro só é totalmente perdoado depois de esquecido. Por essa mesma razão existem erros imperdoáveis.
Desta vez eu não gritei, não bati a porta na cara. Da última vez que vi alguém me expulsar do seu coração, eu não implorei um canto sossegado onde passar a noite, nem um mundo cheio de loucuras e euforias, mas com o seu toque de sanidade. Não foi a primeira vez, nem possivelmente, será a última e, sinceramente, de todas as outras não adiantou chorar, as gotas ácidas que os meus olhos lacrimejavam apenas me feriam a mim. Deixei-me disso. Deixei de pedir um ombro que me acolhe-se, uma voz que me abraça-se, um peito vazio para morar. Às vezes ainda bate aquela saudade, quando sinto a mão fria e o telemóvel não vibra, dá vontade de perguntar a qualquer estranho se me faz companhia nesta solidão e silencio que me assombram. Mas de que valia ? Outro ser que me encantasse com o seu jeito, me fizesse rir entre as baladas ? Alguém a quem me afeiçoasse para mais tarde perder (...) Não posso obrigar ninguém a ficar, graças a isso, muitos partiram. Houve partidas que pareciam que me apunhalavam pelas costas e outras foram de mansinho, bem devagar, como se a sua ausência não toca-se nos dias. Em certas alturas, quase me habituo, quase ignoro, quase me mentalizo que ninguém vem com rótulos, que nunca saberemos quais são as suas intenções, é simples, por mais que precisemos de uma pessoa, ela não nos pertence.
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